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O professor caiu na rede, e agora?

01/07/2012

redes-sociais-virtuaisEnquanto alguns professores ainda resistem bravamente em manter sua aversão aos computadores e à internet e insistem na interação tradicional professor-aluno, outros já começam a experimentar a relação extra-classe virtual por meio das redes sociais on-line.

Em um primeiro momento o professor “perdeu o medo do computador” e passou a utilizá-lo para si mesmo de várias maneiras. Depois, seduzido pelas possibilidades de uso da rede (internet) e, principalmente, das mídias sociais interativas, como Facebook, Flickr, MySpace, YouTube, Twitter e Orkut, lançou-se de vez na rede. E agora? Como enfrentar as vantagens e desvantagens da super-exposição no mundo virtual?

Embora esse tema não seja ainda muito frequente no Brasil quando se fala da relação entre o professor e as novas tecnologias, os riscos da super-exposição de professores e alunos nas redes sociais já vem sendo debatidos há cerca de meia década nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde as TICs já vem sendo utilizadas pelas escolas e pelos professores há mais tempo que aqui.

No início de 2012 o Departamento de Educação da cidade de Nova Iorque publicou o seu “Guia para o uso das Mídias Sociais” (NYC Department of Education Social Media Guidelines, disponível para baixar no final desse artigo), onde restringe de forma bastante radical a interação professor-aluno nos ambientes virtuais. Na inglaterra, no Condado de Kent, chegou-se a proibir os professores de possuírem um perfil no Facebook.

Seria preocupação excessiva? Fobia do mundo virtual? Ou há mesmo um risco real no uso das mídias sociais interativas que justifique esse “medo”?

No presente artigo vamos discutir esse tema e apresentar sugestões sobre os cuidados que o professor deve tomar ao utilizar-se das redes sociais, quer seja para si mesmo, quer seja para fins educacionais. Evidentemente muito do que será sugerido aqui vale também para outras categorias profissionais e, de forma ainda mais geral, para todos os usuários da internet.

Tô na rede, e agora?

Para quem chega à internet pela primeira vez, tudo parece como um infinito e complicado mundo de cliques, botões, links, e “programinhas”. Mas, passada a fase de “susto” inicial, rapidamente todos pegamos o gosto pela navegação e nos deslumbramos com as possibilidades de interação.

Para o professor que sempre teve dificuldade de conversar com seus alunos na própria sala de aula (por excesso de alunos, falta de tempo e uma extensa “programação curricular”), descobrir que uma mensagem sua publicada no Facebook pode ser rapidamente comentada por aquele aluno que nunca falou com ele na sala de aula, pode agora parecer uma revolução.

A rede atrai alunos, professores e todos nós por várias razões. Uma delas, com certeza, é a ampliação do universo de relacionamentos. Na rede fazemos muitos novos amigos, conhecemos pessoas interessantes, passamos a ter acesso à textos, vídeos, imagens e notícias que não tínhamos antes. A rede nos dá a possibilidade de acessarmos muitas fontes e, principalmente, nos permite “falarmos para muitos”.

Na rede não há distâncias, o tempo deixa de ser linear e a virtualização aparente das relações interpessoais nos dá uma falsa impressão de segurança e distanciamento. Vários estudos publicados sobre esse tema (inclusive um estudo interessante publicado em uma dissertação de mestrado em antropologia social defendida na Unicamp em 2008) já mostraram que essas características da rede nos tornam desinibidos e, em certas circunstâncias isso pode ser benéfico, mas, em outras, pode nos causar sérios problemas.

“Estar na rede” significa, basicamente, três coisas:

  1. Ter acesso a uma infinidade de fontes de informação sobre todo tipo de tema e em diversas formas de mídia;
  2. Ter a possibilidade de estabelecer inúmeros novos relacionamentos e construir novos círculos de amizades e interesses e;
  3. Expor-se para uma infinidade de pessoas desconhecidas com as quais se pode interagir de diferentes formas.

Se, por um lado, a rede é rica em novas possibilidades, por outro, nem todas essas possibilidades serão interessantes, importantes ou positivas.

Na rede fazemos novos amigos, mas também podemos fazer novos inimigos. A rede nos fornece todo tipo de informação e algumas delas são péssimas, quer porque sejam falsas ou falsificadas, quer porque sejam ilícitas ou, simplesmente, porque são inúteis. Na verdade apenas um número infinitamente pequeno de informações disponíveis na rede serão úteis para cada um de nós.

Da mesma forma como se pode encontrar qualquer coisa na rede, uma vez que você esteja nela você também passa a ser “encontrável”. Não apenas o seu endereço, nome, documentos, telefone, fotos e vídeos passam a estar disponíveis para todo o mundo como também todas as suas “interações na rede”. Quando se está na rede, parte significativa de sua vida fica lá registrada por meio de fragmentos cuja leitura nem sempre será favorável à imagem pública que você gostaria de ter.

Estar na rede é deixar de ser privado e passar a ser público. E essa super-exposição é um dos grandes fatores de risco do uso da internet e, em particular, das redes sociais.

Na verdade, mesmo que você nunca tenha participado diretamente das redes sociais, uma busca com seu nome e mais alguns dados agregados (como o nome da sua escola, da sua empresa ou o número do seu RG) podem já possuir muitos links que, reunidos, contam um pouco da sua história. Já experimentou fazer essa pesquisa?

Se você está na rede hoje, esteja consciente de que a rede é “quase-eterna” e continuará a existir depois que você se for. O que você publicar hoje ficará guardado “na nuvem” e estará acessível na rede até muito depois de seus bisnetos terem falecido. Sua história na rede nunca será apagada.

Professores, em especial, tem mais problemas em gerenciar esse complexo novo mundo virtual  interativo do que pessoas que não lidam diretamente com muitas outras pessoas (especialmente menores de idade) e que não têm um policiamento ético-moral tão intenso sobre si.

Professores ainda são vistos pela sociedade como “exemplos ético-morais”. Não se espera encontrar uma fotografia no Facebook de um professor bêbado em uma balada, segurando uma garrafa de bebida e uma das mãos, de camisa aberta e cambaleante. Ainda que isso não o torne um “mau profissional” e não signifique que no outro dia ele tenha chegado bêbado na escola para lecionar, uma cena como essa choca os pais e a sociedade em geral e pode virar motivo de bulling por parte dos alunos.

Além disso, quando expostos às redes sociais, os professores não podem vivenciar os mesmos conflitos que vivenciam em sala de aula, pois embora na sala de aula real os ânimos se acalmem após alguns minutos, na rede todos os conflitos onde ele se envolver serão expostos ao mundo inteiro e ficarão lá, expostos, pelo resto de sua vida.

Como reduzir essa possibilidade de “prejuízo da imagem pública” na rede? A resposta não é simples, mas tentaremos dar algumas sugestões separadas em três grupos: sugestões válidas para todos, as especialmente importantes para a Instituição Escola e, finalmente, aquelas importantes para o professor em particular.

10 cuidados que todos devem ter na rede

Sua imagem pública na rede é seu patrimônio mais valioso. Para construí-la pode ser necessário anos, mas para destruí-la basta um “momento de bobeira”. Ao contrário do “mundo real”, onde nossas ações geralmente são percebidas por poucas pessoas, no mundo virtual nossas ações são globais e perduram “para sempre”.

A lista de cuidados que todos deveríamos ter o tempo todo é bastante extensa, mas vamos tentar resumir a 10 pontos principais. Você pode fazer um exercício de reflexão e aumentar essa lista até que ela lhe pareça um bom “guia de comportamento na rede”.

  1. Evite, sempre que possível, fornecer informações pessoais que representem risco para sua segurança, tais como: situação financeira, dados bancários, informações de contato, documentos e números de cartão de crédito, informações familiares ou de amigos. Em muitas circunstâncias esses dados lhes serão solicitados e não há nenhuma garantia real de que esses dados serão mantidos em sigilo;
  2. Não exponha sua vida pessoal na rede. A vida é dinâmica, mutável. Os relacionamentos se constroem e se desfazem. Amores e empregos vão e vêm. Mas a internet manterá sempre uma memória de tudo o que você tiver exposto nela. É inútil imaginar que poderemos “apagar nossa história na internet”, por isso é importante que sua história na rede não tenha “momentos que deveriam ser apagados”;
  3. Não exponha a vida pessoal de outras pessoas na rede. Além de que isso é ilegal e poderá lhe render processos judiciais, ao expor outras pessoas na rede você cria riscos reais para essas pessoas. Comentários, fofocas, críticas e detalhes pessoais podem constrangir as pessoas e, quando feitos publicamente, podem caracterizar-se como crimes previstos em lei;
  4. Nunca acredite que na rede existam conversas pessoais, grupos fechados e ocultos, sites protegidos, relações de confiança ou sigilo de informações. Tudo que existe ou vier a existir sobre você na internet poderá ser acessado: suas conversas em chats, MSN, grupos de discussão, comunidades virtuais, redes sociais, etc. Tudo na internet é ou poderá vir a ser público;
  5. Nunca escreva nada que você não tenha certeza de que possa ser lido por qualquer um, em qualquer lugar e circunstância, sem que haja nenhum tipo de comprometimento pessoal seu. Mesmo assim você correrá sempre o risco de ser mal interpretado, interpretado fora do contexto em que escreveu, citado em outro local ou contexto, citado por pessoas que não conhece ou, ainda, poderá ser comentado, criticado e esculachado por qualquer um. Na internet você não escreve para uma pessoa ou grupo, você escreve para o mundo;
  6. Nunca publique imagens ou vídeos seus que possam denegrir sua imagem em alguma circunstância presente ou futura. Por exemplo, sua foto com ares de embriagues em uma festa poderá ser acessada pelo recrutador que vai decidir se lhe dará ou não um emprego daqui há cinco anos. Sua tórrida declaração de amor feita para sua paixão atual pode não soar nada bem para uma possível nova paixão surgida daqui a 10 anos.
  7. Evite, sempre que possível, entrar em discussões agressivas. Meça suas palavras e sempre tenha certeza de que a opinião que está expressando não extrapola os limites da lei e do bom senso. Alguns termos e expressões podem ofender não apenas o seu interlocutor na discussão, mas todo um grupo de pessoas que sequer estão participando da sua discussão, mas que poderão ser atingidas por seus comentários. Nunca responda a uma provocação no mesmo dia, dê um tempo até ficar mais calmo e então procure dar uma resposta ponderada ou simplesmente ignore a provocação;
  8. Antes de participar de um grupo de discussão, de uma comunidade virtual ou mesmo de um evento, procure conhecer o grupo, seus ideais e propósitos. Procure ser sempre construtivo e nunca “trollar” em um grupo. Lembre-se de que a memória da internet é eterna e que sua “trollagem” ficará associada a você até muito depois de você ter se arrependido dela;
  9. Não cometa cyberbulling. Não se iluda com a sensação de impunidade e de apoio por parte de um grupo. Cyberbulling é crime já tipificado em lei e não existe anonimato na internet para que você possa se esconder. Apelidos e avatares estão sempre associados à sua identificação real e, ao contrário das situações “presenciais”, onde as vezes se pode “ocultar as responsabilidades”, na internet todos as suas pegadas são registradas e o caminho que leva até você sempre pode ser refeito;
  10. Não desrespeite direitos autorais. Não publique textos, vídeos ou imagens que possuam restrições de direitos autorais. Se não tiver certeza de que pode publicar, não publique. Não distribua softwares, livros digitais, músicas, filmes ou qualquer outro material “pirata”. Isso é crime (mesmo quando compartilhado com apenas uma outra pessoa ou quando feito por meio de programas de troca direta de arquivos).

10 cuidados que a escola deve ter na rede

A Escola, como entidade jurídica que é, não publica nada e não participa da rede, senão pelas pessoas que o fazem em seu nome. Portanto, a primeira coisa a saber e lembrar é que toda publicação ou interação feita em nome da escola, em razão da escola ou com relação à escola, será uma publicação em que o autor, pessoa física, está assumindo a responsabilidade legal por uma entidade jurídica e poderá ser responsabilizado legalmente pelos efeitos dessa publicação.

A lista abaixo não inclui todos os cuidados possíveis, mas procura apontar alguns cuidados que os representantes da escola devem ter em vista.

  1. A escola é uma pessoa jurídica e não uma pessoa física. Cabe à direção da escola assumir a respossabilidade pela exposição pública da mesma, quer por meio de blogs, sites, comunidades virtuais ou redes sociais. Não cabe a professores e alunos criarem blogs, comunidades virtuais ou redes sociais em nome da escola, a menos que isso seja solicitado ou autorizado pelos responsáveis legais da escola;
  2. A escola não deve expor imagens, filmes ou dados pessoais de alunos para fins não pedagógicos e deve ter sempre a permissão de publicação, por escrito, dos responsáveis pelos alunos expostos. Da mesma forma, a escola deve regular e fiscalizar os espaços interativos onde ela permita que alunos e professores publiquem quaisquer materiais;
  3. A escola não deve expor na rede situações constragedoras para alunos e professores. Questões disciplinares, sanções e assuntos particulares (com alunos e professores) não devem ser expostos publicamente na rede;
  4. A escola deve ter uma política de uso geral e pedagógico da rede e das mídias sociais estabelecida em seu Plano Político Pedagógico;
  5. O regimento escolar, no âmbito da escola, e o contrato pedagógico entre alunos e professores, no âmbito da gestão de sala de aula, devem prever direitos, deveres, responsabilidades e sanções de professores e alunos com relação ao acessso, uso e abuso da rede e de seus meios de acesso no espaço escolar, físico ou virtual;
  6. A escola não pode exigir de alunos e professores ações, atividades ou interações pela rede sem dar garantias efetivas de acesso à rede e aos recursos necessários para que essas ações, atividades e interações possam ocorrer;
  7. A escola não pode cobrar, repassar custos ou quaisquer despesas para os alunos ou professores referentes ao uso da rede ou de recursos disponibilizados nela (salvo os casos de escolas particulares onde esses custos estejam previstos no contrato de matrícula);
  8. Quando uma escola se utiliza da rede de forma institucional ela deve entender que esse uso fica sujeito às mesmas condições, regras, leis e garantias que valem dentro de seu espaço físico real, garantindo assim a segurança dos dados dos alunos e não expondo-os à risco na rede;
  9. A escola que se expõe na rede deve zelar para manter sua boa imagem, bem como de seus alunos e professores, cabendo aqui, guardadas as devidas proporções, os mesmos cuidados sugeridos às pessoas físicas listados no item “10 cuidados que todos devem ter na rede”;
  10. Cabe à gestão escolar disciplinar o uso institucional da Escola na internet por parte de professores e alunos que obtiverem permissão para fazê-lo, orientando quando necessário e zelando para que esse uso não seja impróprio, corresponsabilizando-se, nesses casos, por esse uso.

10 cuidados que o professor deve ter na rede

O professor não é visto apenas como uma pessoa, um funcionário da escola ou um profissional do ensino, ele é visto também como um ícone, um modelo de pessoa de bem e de profissional da educação zeloso por seus alunos e por sua escola. Exige-se do professor que a todo momento e em qualquer circunstância ele demonstre comportamentos éticos e morais elevados. Dessa forma, o professor exposto na rede é quase que proibido de ser uma pessoa normal.

Ainda que essa descrição de modelo de professor pareça injusta, imprópria e praticamente impossível, é assim que a sociedade o vê e é isso que ela lhe cobra quando quer puni-lo por sua humanidade.

Ao professor é fundamental cuidar-se ao se expor na rede. A lista abaixo procura relacionar 10 cuidados considerados prioritários, mas você pode e deve aumentá-la sempre que encontrar outro cuidado que julgar importante. Da mesma forma, os cuidados listados abaixo não garantem, por si só, que o professor que participa da rede deixe de enfrentar problemas devido a essa exposição.

  1. Diferencie o pessoal do profissional. O ideal seria que cada professor possuísse dois perfis na rede: um perfil pessoal, onde o professor não mantém nenhuma relação com seu trabalho (escola, professores e alunos) e, outro, onde tratasse apenas de questões profissionais (com a escola, com os colegas professores e com os alunos e seus responsáveis). Como isso é difícil de se conseguir na prática, a sugestão é que o professor procure manter um perfil só, mas relações distintas entre os contatos pessoais e os profissionais;
  2. As relações entre professor e aluno, na rede, devem procurar se manter estritamente profissionais (da mesma forma como devem ser mantidas em sala de aula). Nesse sentido o professor deve entender as redes sociais como uma extensão de sua sala de aula. Isso implica em um cuidado muito grande com a linguagem e as “atitudes” expressas no mundo virtual da internet;
  3. Entendendo que “redes sociais” abrangem blogs, microblogs, flogs, fóruns, grupos de discussão, galerias de imagens, comunidades virtuais e todos os demais meios de publicação e interação na internet, cabe ao professor zelar por sua imagem pessoal e profissional em todas essas redes e espaços interativos. Por exemplo, embora o professor possa considerar o seu blog pessoal como um espaço “seu”, não é dessa forma que a sociedade vê seu blog, ela o vê como “o blog do professor” e não do “fulano de tal”;
  4. Atividades pedagógicas desenvolvidas na internet devem atender ao pressuposto de que todos os alunos envolvidos possuem condições reais de acesso aos recursos necessários para levar a cabo essas atividades, principalmente se essas tarefas tiverem caráter avaliativo ou se implicarem em aprendizagens que não terão equivalentes na sala de aula presencial;
  5. O professor não deve usar a rede para promover qualquer tipo de comparação, classificação ou discriminação de alunos que possa causar constrangimento ao aluno, seus colegas de classe ou de escola, ainda que essas discriminações sejam positivas e tenham como intenção a motivação dos demais. Isso aplica-se em especial aos resultados de avaliações, trabalhos ou atividades regulares da escola;
  6. Cabe ao professor zelar pelo bom exemplo de uso da internet publicando, divulgando e compartilhando apenas materiais didáticos ou similares de qualidade, com direitos autorais livres ou cedidos pelo autor. Da mesma forma, cabe ao professor que está na rede orientar seus alunos sobre o uso responsável da internet como parte de um “currículo transversal” necessário à convivência, ao aprendizado e ao aprimoramento da cidadania do aluno;
  7. Em nenhuma hipótese o professor deve comercializar ou prestar serviços remunerados na internet para seus próprios alunos ou outros da mesma escola (salvo os casos de escolas privadas onde essa prática esteja prevista no contrato de matrícula);
  8. Ao expor-se nas redes sociais o professor deve ter em mente que poderá sofrer bulling por parte de um ou mais alunos, familiares dos alunos, ex-alunos ou grupos onde participam seus alunos. Não cabe à escola responsabilizar-se por esses atos, defender legalmente o professor ou dar-lhe garantias de defesa, bem como não cabe à escola se responsabilizar pela sanção a esses alunos nos casos em que a própria instituição não estiver envolvida diretamente. Sendo assim, cabe ao professor evitar essas provocações e tomar as medidas legais cabíveis quando for o caso. Eis aí, portanto, uma boa razão para o professor agir apenas profissionalmente em suas relações virtuais com os alunos;
  9. O professor não deve compartilhar o seu perfil pessoal na rede (conta de e-mail, blogs ou login de ferramentas web 2.0) com seus alunos, colegas ou outras pessoas. Nos casos em que se desenvolva um projeto conjunto com os alunos (como a criação de um blog para uma classe ou projeto, por exemplo) deve-se criar um novo perfil para cada projeto (conta de e-mail, login, etc.);
  10. O professor é responsável por todas as suas ações envolvendo o nome da escola ou seus alunos, mesmo que partam de iniciativas desvinculadas do planejamento escolar (como postagens em um blog próprio, a participação em grupos de discussão, etc.), cabendo a ele responder legalmente por seus atos (publicações, participações em debates, comentários em blogs, etc.). Pensando nisso é mais uma vez recomendável que se evite relacionamentos, comentários, publicações e interações virtuais não profissionais.

Não é melhor sair da rede então?

Não! Nem pense nisso!

A rede é para onde todos caminhamos inexoravelmente. A sala de aula tende naturalmente a se estender para fora do limite de suas paredes ou dos muros da escola. A questão relevante aqui é compreender que ao mesmo tempo em que a sala de aula extrapola seus limites físicos e temporais, as ações e responsabilidades do professor e da escola não podem extrapolar os limites do profissionalismo para se confundirem com relações pessoais.

Quando o professor “cai na rede” ele leva sua escola e seus alunos com ele, querendo ou não. Pois, diversamente do “mundo real”, onde a sala de aula tem paredes e as aulas têm horários fixos, no mundo virtual não há uma distinção clara sobre onde começa e onde termina o papel do professor.

Há muitas possibilidades de uso pedagógico das redes sociais, para muito além da mera expansão das relações sociais entre pessoas ou da interação professor-aluno. Nas referências e sugestões na internet (logo abaixo) seguem alguns links de materiais que tratam especificamente desses usos.

Além do mais, é possível se manter exposto na rede sem comprometimento negativo da imagem pública do professor e com ganhos efetivos no seu relacionamento com os alunos e nas sua práticas pedagógicas. É claro que esse “novo mundo” exige também novas aprendizagens, novas abordagens e novos riscos. Talvez porque na medida em que extrapolamos os muros da escolas nos deparemos com uma escola ainda maior: a escola da vida.

Referências e sugestões na Internet:

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

ANTONIO, José Carlos. O professor caiu na rede, e agora?, Professor Digital, SBO, 01 jul. 2012. Disponível em: <https://professordigital.wordpress.com/2012/07/01/o-professor-caiu-na-rede-e-agora/>. Acesso em: [coloque aqui a data em que você acessou esse artigo, sem o colchetes].


Uso pedagógico do blog – o Edublog

26/10/2009

Um blog de adolecente criado em 2004

“Algumas coisas que um novato na blogosfera precisa saber sobre a criação e manutenção de blogs de uma forma geral e, em especial, sobre os edublogs”.

Há cinco anos atrás eu escrevi um artigo intitulado “Blogs, Flogs e a inclusão websocial”. Na época o foco do artigo consistia em mostrar que estava nascendo uma forma de inclusão social na web, a que eu chamei de “inclusão websocial”, onde usuários sem conhecimentos da linguagem HTML e  de outras linguagens de criação de páginas para a web podiam começar a criar seus “sites” e assim conquistar seu espaço de autoria na web por meio dos blogs, dos flogs e de outras ferramentas que então estavam despontando na rede (inclusive o Orkut).

Naquela época os blogs eram vistos por muitos professores como “coisa de adolescente”, pois os blogs nasceram com a inspiração de serem “diários digitais” e, além disso, a maioria dos blogs brasileiros tinha mesmo o formato de diário de adolescente, pois eram blogs criados por adolescentes e que tinham como público alvo outros adolescentes.

O fato é que os adolescentes saíram na frente e criaram seus blogs, tornam-se autores e ocuparam seu espaço na web, enquanto os professores, em sua maioria, ainda discutiam se valia ou não a pena usar novas tecnologias na educação.

Um blog de matemática

Um blog de matemática

O tempo passou. Cinco anos, na história da web, é um tempo imenso! De 2004 para cá os blogs brasileiros caíram também no gosto de muitos “adultos”. Jornalistas, profissionais liberais, donas de casa e (vejam só!) até mesmo professores começaram a ocupar cada vez mais a blogosfera.

Hoje em dia eu creio que seja bobagem discutir a utilidade das TICs na educação, ou explicar o que é um blog, mas talvez ainda seja tempo de falar um pouco sobre o uso pedagógico dos blogs, principalmente tendo em vista que a cada dia mais e mais professores ingressam nesse incrível mundo da publicação e da autoria.

Apesar de sua origem com formato e pretensão de “diário”, o blog é, na verdade, um site. Ter um blog ou ter um site é a mesma coisa se o objetivo for possuir um endereço na Internet onde se possam publicar materiais diversos. A única diferença é que um “site”, no sentido original do termo, é um espaço que requer a criação não apenas de conteúdo, mas também de layouts, programações em HTML, CSS, javascript, PHP, SQL e outras linguagens usadas na net.

O blog, no entanto, oferece toda essa programação, o layout, as ferramentas de divulgação e até mesmo seu “endereço na web” prontos, de forma que aos seus donos cabe apenas prover o conteúdo. E é aí que está o “X” da questão!

Para que um blog sobreviva na blogosfera e cumpra seu papel como espaço de publicação e autoria, ele precisa ter pelo menos 4 requisitos básicos:

  1. Possuir um objetivo claro
  2. Visar um público específico
  3. Possuir conteúdo útil para o público visado
  4. Ser atualizado frequentemente
Um blog de Física

Um blog de Física

A “cara” do seu blog não é tão importante quanto o conteúdo que você colocará nele, principalmente se estamos falando em um edublog, mas dependendo do seu público ela pode ser também um requisito. Há muitos layouts disponíveis e você pode escolher aquele que julgar mais adequado. Vamos então nos ater ao conteúdo e ao pressuposto de que você quer dar um “uso pedagógico” ao seu blog.

Um blog com fins pedagógicos, um edublog, é um blog destinado a algum propósito educacional. Então, o primeiro passo a ser dado é definir o objetivo do seu blog. Você pode dar esse passo respondendo à seguinte pergunta: quem vier ao meu blog poderá aprender sobre…

Esse blog aqui, por exemplo, “Professor Digital”, é um edublog que tem como objetivo fornecer reflexões, dicas, sugestões e materiais de consulta sobre o uso pedagógico das TICs. Mas eu também tenho um outro blog onde o objetivo é discutir a Educação de forma mais geral, outro onde discuto assuntos relativos à Física e, ainda, um outro onde simplesmente faço um diário de reflexões sobre minha escola. Cada um deles tem um objetivo diferente e, por isso mesmo, são blogs diferentes.

Um professor de história pode criar um blog com o objetivo de fornecer material extracurricular de história para seus alunos, ou pode querer criar um onde apresentará e discutirá situações da atualidade, ou ambos; um professor de matemática pode criar um blog para ensinar matemática, ou para contar a história da matemática e contextualizar suas aulas, etc. O assunto do blog, em si, pode variar imensamente, mas é importante entender que edublogs são blogs focados na educação.

O segundo passo consiste em definir o seu público alvo. Se você leciona para alunos do Ensino Médio, então esse pode ser seu público-alvo. Mas se quiser fazer um blog para apresentar experiências didáticas, sugestões de aulas, discutir currículo ou apresentar ferramentas auxiliares para os professores da sua área, então é claro que seu público-alvo serão os professores e não os alunos. Você pode ser “pretensioso” e querer atender esses diferentes públicos em um mesmo blog, mas você corre o risco de acabar não atendendo a nenhum deles e vê-los rejeitar o seu blog.

É melhor focar seu blog em um público-alvo bem específico e concentrar esforços aí. Se você quiser atingir diferentes públicos, crie diferentes blogs, é mais eficaz. Nesse blog aqui o meu público alvo são professores e formadores de professores interessados no uso pedagógico das TICs. Nos meus outros blogs os públicos-alvos são diferentes.

O terceiro passo é a parte que requer mais “suor”: publicar conteúdo relevante. Não é preciso que o conteúdo seja produzido por você mesmo, mas é preciso que o conteúdo seja relevante, interessante e útil para quem visitar seu blog em busca da aprendizagem que você está oferencendo. Neste blog aqui a minha opção foi a de publicar meus próprios artigos sobre o uso pedagógico das TICs, mas há centenas de excelentes blogs que reúnem diversas publicações de outros blogs, inclusive do meu, e que oferecem ao seu público um material muito mais rico do que o material que cada blog “original” oferece aos seus leitores.

Tanto criar seus próprios artigos e seu próprio conteúdo, quanto pesquisar na Internet bons artigos e materiais para então oferecê-los aos leitores  do seu blog, demanda trabalho, tempo de dedicação e muita responsabilidade, pois mesmo não sendo um material assinado por você, ao torná-lo disponível no seu blog, você estará sendo co-responsável pela divulgação desse material. Para quem trabalha com Educação a responsabilidade por oferecer material de qualidade e informação confiável é um dos pressupostos básicos.

Por fim, o quarto passo talvez seja mais difícil do que o terceiro, pois implica em repetir o terceiro passo muitas vezes, já que um blog que não recebe atualizações frequentes tende a se tornar apenas um “repositório de textos mortos”. É claro que esse blog sempre receberá visitas de novos usuários, mas ele perderá seus antigos leitores por falta de conteúdo atualizado. Por outro lado, dependendo dos conteúdos que você publique no seu blog, atualizá-lo poderá não ser uma tarefa fácil. Além disso, é preciso dedicar um bom tempo para essas atualizações.

Blog da EE Paulina Rosa

Blog da EE Paulina Rosa

Resumindo: criar um blog é fácil, criar um blog útil é um pouco mais difícil. Criar um blog útil e mantê-lo útil ao longo do tempo é ainda mais difícil e trabalhoso, mas é muito compensador se o objetivo que você escolheu estiver sendo atingido ao longo da vida do seu blog.

Os blogs são ferramentas web 2.0 disponíveis gratuitamente na rede e oferecidas por muitas empresas. Para criar seu blog você pode usar qualquer uma dessas empresas e o processo de criação dura cerca de cinco minutos e requer apenas uma meia dúzia de cliques no mouse. Veja no final do artigo alguns links de empresas que oferecem blogs e hospedagem gratuita para eles.

Alguns exemplos de uso pedagógico para blogs são listados abaixo e não esgotam nem de longe as possibilidades, mas podem ajudar os iniciantes a descobrirem alguma utilidade para o seu blog:

  • Blog de conteúdo curricular: muitos professores usam seus blogs para publicar os conteúdos curriculares de suas aulas e assim permitirem que seus alunos os consultem pela Internet. Com isso os alunos podem acessar textos, filmes, músicas, simulações, animações e outros materiais usados em classe ou sugeridos como materiais extras;
  • Blog de apoio às atividades de classe: os blogs podem servir como meios auxiliares para se “propor tarefas” ou para “receber tarefas”. Por exemplo, você pode publicar uma poesia e pedir aos seus alunos que “comentem a poesia”, como faria em sala de aula com textos impressos, a única diferença é que esses comentários ficam publicados no seu blog;
  • Blog de registro de projeto: você pode usar blogs para registrar o andamento de um projeto, onde além de você, os grupos de alunos que participam do projeto também podem escrever no blog (ou por meio de comentários ou diretamente, publicando textos eles mesmos sob sua supervisão). Imagine por exemplo que sua escola participe de um projeto de reciclagem, todas as atividades do projeto, desde as reuniões iniciais até o os resultados finais, podem ser documentas de forma bem rica (usando imagens, textos, filmes, depoimentos gravados, etc.) no blog;
  • Blog institucional da escola: uma escola pode (e realmente deve) possuir um site ou um blog (que é bem mais simples de criar e manter do que um site) onde publique as notícias, eventos, avisos, comunicados, horários, dados dos professores e da escola, etc., a fim de facilitar sua comunicação com a comunidade. Muitas escolas já possuem blogs e os utiliza como uma forma de prestar contas à comunidade e de informar melhor suas ações;
  • Blog de uma disciplina: como a atualização de um blog requer que seu autor (ou autores) publique novas matérias regularmente, em algumas escolas os professores de uma dada disciplina se unem e mantêm um blog para a disciplina toda. Nesse blog se podem publicar dicas para os alunos, materiais extras, datas de provas, provas resolvidas, listas de exercícios, etc., e os alunos podem compartilhar materiais de diversos professores sobre um mesmo assunto.

É claro que um único blog pode servir para várias dessas finalidades (e outras ainda), mas tenha em mente que quanto mais “confuso e desfocado” for o seu blog, mais dificilmente ele será útil ou despertará a atenção do seu público alvo.

Professores que possuem blogs afirmam que isso facilita seu trabalho, pois com o blog eles podem:

  • fornecer e armazenar materiais de consulta para os alunos;
  • criar atividades que os alunos possam acessar de suas casas e entregar via Internet;
  • criar “bibliotecas” de atividades e materiais que ficam disponíveis de um ano para outro, poupando espaço e recursos;
  • divulgar o seu trabalho e torná-lo transparente para os pais dos alunos e para a comunidade toda;
  • interagir com outros professores de sua área e trocar informações, links, materiais, atividades, etc.;
  • melhorar seu relacionamento com os alunos e fornecer a eles maior possibilidade de acesso ao professor.

Uma dica final, e bastante interessante, é criar um blog para a escola e colocar nele os links para os blogs dos professores e alunos da escola, criando assim uma forma simplifica de “Comunidade Virtual” e explorando com isso diversas novas possibilidades de interação e participação colaborativa.

Para consultar na internet:

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

ANTONIO, José Carlos. Uso pedagógico do blog – o Edublog, Professor Digital, SBO, 26 out. 2009. Disponível em: <https://professordigital.wordpress.com/2009/10/26/uso-pedagogico-do-blog-o-edublog/>. Acesso em: [coloque aqui a data em que você acessou esse artigo, sem o colchetes].

Uso pedagógico dos blogs – os “edublogs”

“Algumas coisas que um novato na blogosfera precisa saber sobre a criação e manutenção de blogs de uma forma geral e, em especial, sobre os edublogs”.

Há cinco anos atrás eu escrevi um artigo intitulado “Blogs, Flogs e a inclusão websocial”. Na época o foco do artigo consistia em mostrar que estava nascendo uma forma de inclusão social na web, a que eu chamei de “inclusão websocial”, onde usuários sem conhecimentos da linguagem HTML e outras linguagens de criação de páginas para a web podiam começar a criar seus “sites” e, assim, conquistar seu espaço de autoria na web por meio dos blogs, dos flogs e de outras ferramentas que então estavam despontando na rede (inclusive o Orkut).

Naquela época os blogs eram vistos por muitos professores como “coisa de adolescente”, pois os blogs nasceram com a inspiração de serem “diários digitais” e, além disso, a maioria dos blogs brasileiros tinha mesmo o formato de diário de adolescente, pois eram blogs de adolescentes e tinham como público alvo outros adolescentes.

O fato é que os adolescentes saíram na frente e criaram seus blogs, tornam-se autores e ocuparam seu espaço na web, enquanto os professores, em sua maioria, ainda discutiam se valia ou não a pena usar novas tecnologias na educação e, grande parte deles, nem sequer usavam e-mail ou computadores.

O tempo passou. Cinco anos, na história da web, é um tempo imenso! De 2004 para cá os blogs brasileiros caíram também no gosto de muitos “adultos”. Jornalistas, profissionais liberais, donas de casa e (vejam só!) até mesmo professores começaram a ocupar cada vez mais a blogosfera.

Hoje em dia eu creio que seja bobagem discutir a utilidade das TICs na educação, ou explicar o que é um blog, mas talvez ainda seja tempo de falar um pouco sobre o uso pedagógico dos blogs, principalmente tendo em vista que, a cada dia, mais e mais professores ingressam nesse incrível mundo da publicação e da autoria.

Apesar de sua origem com formato e pretensão de “diário”, o blog é, na verdade, um site. Ter um blog ou ter um site é a mesma coisa se o objetivo for possuir um endereço na Internet onde se possam publicar materiais diversos. A única diferença é que um “site”, no sentido original do termo, é um espaço que requer a criação não apenas de conteúdo, mas também de layouts, programações em HTML, CSS, javascript, PHP, SQL e outras linguagens usadas na net. Porém, o blog oferece toda essa programação, o layout, as ferramentas de divulgação e até mesmo seu “endereço na web” prontos, de forma que aos seus donos cabe apenas prover o conteúdo. E é aí que está o “X” da questão!

Para que um blog sobreviva na blogosfera, e cumpra seu papel como espaço de publicação e autoria, ele precisa ter pelo menos 4 requisitos básicos:

  1. Possuir um objetivo claro
  2. Visar um público específico
  3. Possuir conteúdo útil para o público visado
  4. Ser atualizado frequentemente

A “cara” do seu blog não é tão importante quanto o conteúdo que você colocará nele, mas dependendo do seu público ela pode ser também um requisito. Há muitos layouts disponíveis e você pode escolher aquele que julgar mais adequado. Vamos então nos ater ao conteúdo e ao pressuposto de que você quer dar um “uso pedagógico” ao seu blog.

Um blog com fins pedagógicos é um blog destinado a algum propósito educacional. Então, o primeiro passo a ser dado é definir o objetivo do seu blog e você pode dar esse passo respondendo a seguinte pergunta: quem vier ao meu blog poderá aprender sobre…

Esse blog aqui, por exemplo, “Professor Digital”, é um edublog que tem como objetivo fornecer reflexões, dicas, sugestões e materiais de consulta sobre o uso pedagógico das TICs. Mas eu também tenho um outro blog onde o objetivo é discutir a Educação de forma mais geral, outro onde discuto assuntos relativos à física e, ainda, um outro onde simplesmente faço um diário de reflexões sobre minha escola. Cada um deles tem um objetivo diferente e, por isso mesmo, são blogs diferentes. Um professor de história pode criar um blog com o objetivo de fornecer material extracurricular de história para seus alunos, ou pode querer criar um onde apresentará e discutirá situações da atualidade, ou ambos; um professor de matemática pode criar um blog para ensinar matemática, ou para contar a história da matemática e contextualizar suas aulas, etc. Se o objetivo é promover de alguma forma a melhoria da Educação, então teremos um blog com finalidade educacional, isto é, um edublog; o assunto em si pode variar imensamente mas é importante entender que edublogs são blogs focados na educação.

O segundo passo consiste em definir o seu público alvo. Se você leciona para alunos do Ensino Médio, então esse pode ser seu público-alvo. Mas se quiser fazer um blog para apresentar experiências didáticas, sugestões de aulas, discutir currículo ou apresentar ferramentas auxiliares para os professores da sua área, então é claro que seu público-alvo serão professores e não alunos. Você pode ser “pretensioso” e querer atender esses diferentes públicos, mas você corre o risco de acabar não atendendo a nenhum deles e vê-los rejeitar o seu blog. É melhor focar em um público-alvo bem específico e concentrar esforços aí. Se você quiser atingir diferentes públicos, crie diferentes blogs, é mais eficaz. Nesse blog aqui o meu público alvo são professores e formadores de professores interessados no uso pedagógico das TICs. Nos meus outros blogs os públicos-alvos são diferentes.

O terceiro passo é a parte que requer mais “suor”: publicar conteúdo relevante. Não é preciso que o conteúdo seja produzido por você mesmo, mas é preciso que o conteúdo seja relevante, interessante e útil para quem visitar seu blog em busca da aprendizagem que você está promovendo. Neste blog aqui a minha opção foi a de publicar meus próprios artigos sobre o uso pedagógico das TICs, mas há centenas de excelentes blogs que reúnem diversas publicações de outros blogs e oferecem ao seu público um material muito mais rico do que o material que cada blog “original” oferece aos seus leitores.

Tanto criar seus próprios artigos e seu próprio conteúdo, quanto pesquisar na Internet bons artigos e materiais para então oferecê-los aos seus leitores demanda trabalho, tempo de dedicação e muita responsabilidade, pois mesmo não sendo um material assinado por você, ao torná-lo disponível no seu blog você estará sendo co-responsável pela divulgação desse material. Para quem trabalha com Educação a responsabilidade por oferecer material de qualidade é um dos pressupostos básicos.

Por fim, o quarto passo talvez seja mais difícil do que o terceiro, pois implica em repetir o terceiro passo muitas vezes, já que um blog que não recebe atualizações frequentes tende a se tornar apenas um “repositório de textos mortos”. É claro que esse blog sempre receberá visitas de novos usuários, mas ele perderá seus antigos leitores por falta de conteúdo atualizado. Por outro lado, dependendo dos conteúdos que você publique no seu blog, atualizá-lo poderá não ser uma tarefa fácil. Além disso, é preciso dedicar um bom tempo para essas atualizações.

Resumindo: criar um blog é fácil, criar um blog útil é um pouco mais difícil. Criar um blog útil e mantê-lo útil ao longo do tempo é ainda mais difícil e trabalhoso, mas é muito compensador se o objetivo que você escolheu estiver sendo atingido ao longo da vida do seu blog.

Os blogs são ferramentas web 2.0 disponíveis gratuitamente na rede e oferecidas por muitas empresas. Para criar seu blog você pode usar qualquer uma dessas empresas e o processo de criação dura cerca de cinco minutos e requer apenas uma meia dúzia de cliques no mouse. Veja no final do artigo alguns links de empresas que oferecem blogs e hospedagem gratuita para eles.

Algumas exemplos de uso pedagógico para blogs são listados abaixo e não esgotam nem de longe as possibilidades mas podem ajudar os iniciantes a descobrirem alguma utilidade para o seu blog:

*Blog de conteúdo curricular: muitos professores usam seus blogs para publicar os conteúdos curriculares de suas aulas e permitirem que seus alunos os consultem pela Internet. Com isso os alunos podem acessar textos, filmes, músicas, simulações, animações e outros materiais usados em classe ou sugeridos como materiais extras;

*Blog de apoio às atividades de classe: os blogs podem servir como meios auxiliares de se “deixar tarefas” ou de se “receber tarefas”. Por exemplo, você pode publicar uma poesia e pedir aos seus alunos que “comentem a poesia”, como faria em sala de aula com textos impressos, a única diferença é que esses comentários ficam publicados no seu blog;

*Blog de registro de projeto: você pode usar blogs para registrar o andamento de um projeto, por exemplo, onde além de você os grupos de alunos que participam do projeto também podem escrever no blog (ou por meio de comentários ou publicando textos, eles mesmos). Imagine por exemplo que sua escola participe de um projeto de reciclagem, todas as atividades do projeto, desde as reuniões iniciais até o os resultados finais, podem ser documentas de forma bem rica (usando imagens, textos, filmes, depoimentos gravados, etc.) no blog;

*Blog da escola: uma escola pode (e realmente deve) possuir um site ou um blog (que é bem mais simples) onde publique as notícias, eventos, avisos, comunicados, horários, dados dos professores e da escola, etc., a fim de facilitar sua comunicação com a comunidade. Muitas escolas já possuem blogs e os utiliza como uma forma de prestar contas à comunidade e de informar melhor suas ações;

*Blog da disciplina: como a atualização de um blog requer que seu autor (ou autores) publique novas matérias regularmente, em algumas escolas os professores de uma dada disciplina se unem e mantêm um blog para a disciplina toda. Nesse blog se podem publicar dicas para os alunos, materiais extras, datas de provas, provas resolvidas, listas de exercícios, etc.

É claro que um único blog pode servir para várias dessas finalidades (e outras ainda), mas tenha em mente que quanto mais “confuso” e “desfocado” for o seu blog, mais dificilmente ele será útil ou despertará a atenção do seu público alvo.


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