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Uso pedagógico do E-mail

26/08/2009

Lembra como eram as comunicações escritas antigamente?

Lembra como eram as comunicações escritas antigamente?

Há uma década atrás, quando eu participava da formação de um grupo de professores para o uso pedagógico dos computadores e da Internet e perguntava à turma “quem tem e-mail?”, de cada 100 professores apenas uns cinco levantavam a mão e, então, quando eu perguntava, quem se lembra do seu e-mail, raramente um desses cinco levantava a mão.

Felizmente os tempos mudam e agora para cada 100 professores, pelo menos 80 têm e-mail e cerca de 50 sabe dizê-lo de memória. Mas, afinal, para que usamos o e-mail? Será que exploramos o potencial “pedagógico” que ele nos oferece?

O e-mail, ou correio eletrônico (“eletronic mail”), originou-se no início da década de 60 e visava permitir uma troca rápida de informações em sistemas de computadores interligados. Grande parte do potencial que se percebeu logo de início com a interligação de computadores em rede mundial (Internet) estava ligado justamente a essa incrível possibilidade de substituir as “cartas em papel” por “cartas eletrônicas”.

Programa editor de e-mail

Programa editor de e-mail

Com o passar dos anos e a implantação efetiva de uma rede de computadores mundial, o e-mail passou a ser a forma mais rápida e eficaz de trocar mensagens assíncronas (não simultâneas) entre as pessoas. Mais recentemente, com o aumento da velocidade de transmissão de dados e o desenvolvimento de tecnologias que nos permitem anexar, enviar e receber arquivos, imagens, filmes, etc., o e-mail passou a ser uma espécie de “transportadora digital” capaz de levar de um computador a outro qualquer artigo digitalizado.

Evidentemente nem tudo é alegria e com o e-mail vieram os “spams” (e-mails não desejados, geralmente de propaganda) e os mais variados golpes de picaretas de todos os tipos. Além disso, como os e-mails podem transportar arquivos, eles podem também transportar vírus nesses arquivos ou, a pior praga de todas, aquelas imensas apresentações de Power Point que alguns “amigos” acham que seria ótimo se víssemos, mesmo que demore horas para baixar esses arquivos.

Feita essa introdução, vamos à questão central: de que maneira um professor pode usar o seu e-mail para fins pedagógicos?

Evidentemente uma resposta banal seria dizer que basta cada um usar sua criatividade, e é verdade, mas vamos tentar relacionar alguns usos e vamos deixar essa criatividade para as sugestões que serão enviadas nos comentários desse artigo.

O e-mail como forma de inclusão digital

Já apontei em outro artigo (“Cidadania digital”) que o simples fato de possibilitarmos a alguém a posse e uso de um e-mail já é, de certa forma, uma maneira de promover a inclusão digital dessa pessoa. No caso da Internet, e em especial das ferramentas Web 2.0, possuir um e-mail é fundamental para poder se cadastrar em diversos serviços gratuitos, além da possibilidade óbvia de trocar mensagens com outras pessoas e de “poder ser encontrado na rede”.

Se pensarmos em uma escola e nos alunos que desejamos que usem a Internet e as ferramentas Web 2.0 disponíveis nela, fica claro que a primeira ação que podemos fazer para promover a inclusão digital de nossos alunos é justamente ajudá-los a criarem seus e-mail e então explorarmos com eles as diversas possibilidades que se seguem daí.

Veja que é importante garantir sempre que o aluno tenha acesso aos computadores da escola e à Internet para poder lhe propor tarefas e atividades que usem esses recursos, pois não faz sentido pedir tarefas por e-mail se o aluno não tem como acessar a Internet na própria escola.

O e-mail como forma de contato extraclasse

Receba, envie, troque.

Receba, envie, troque.

Um professor que já se considere ou que esteja tentando ser um “Professor Digital” (faça o teste!) certamente pesquisa na Internet, lê jornais e revistas eletrônicas e tem sempre um assunto novo para comentar com seus alunos. Ao invés de recortar jornais e revistas e levá-los para a escola para colá-los em um mural, porque não distribuí-los diretamente aos alunos por e-mail?

Recados, calendários de provas, dicas sobre o assunto em estudo, sugestões de leitura extra ou mesmo curiosidades diversas (mas relevantes educacionalmente) podem ser enviadas ao custo de “um clique” se usarmos o e-mail como forma de distribuição desses materiais. Daí vem a importância de, antes de tudo, criarmos e-mails para nossos alunos e termos essa lista de e-mails conosco.

Além disso, um antigo sistema de apoio ao aluno em período extraclasse conhecido como “plantão de dúvidas” pode ser implementado usando-se o e-mail se você disponibilizar aos seus alunos o seu endereço de e-mail.

O e-mail como instrumento de produção de texto e conteúdo

Digitando também se produz textos

Digitando se produz textos

É óbvio que o e-mail, por sua característica fundamental como ferramenta de expressão escrita,  possibilita que o professor da área de Linguagem possa usá-lo para propor aos seus alunos a produção de textos. Por outro lado, produzir textos é uma atividade presente em todas as disciplinas e, portanto, todas podem usar o e-mail como um expediente útil para se produzir e entregar textos.

Da mesma forma, aqueles trabalhos de pesquisa que normalmente resultam em pilhas de papel impresso, podem ser solicitados de forma mais “ecológica e sustentável” na forma de arquivos digitais. Dado que o e-mail aceita figuras anexas ao texto e que outros tipos de arquivos, como apresentações, imagens, planilhas, músicas e mesmo pequenos filmes, podem ser anexados ao e-mail, tem-se uma infinidade de possibilidades muito mais ricas para a produção desses trabalhos do que o velho expediente do “papel”. Por outro lado, é muito mais fácil receber e organizar esses trabalhos quando eles são entregues por e-mail e o professor se organiza para recebê-los.

O e-mail como documentação e biblioteca de atividades e tarefas

Biblioteca digital: baixo custo, pouco espaço

Baixo custo, pouco espaço

Ao contrário dos papéis, que ocupam muito espaço, estragam, extraviam-se e são produzidos a partir de pobres árvores indefesas, os e-mails ocupam um “espaço de armazenamento” quase nulo e têm uma durabilidade virtualmente infinita. Trabalhos, tarefas, textos e toda sorte de atividade que os alunos puderem lhe enviar por e-mail poderão ser armazenados sem nenhum custo e terão a durabilidade que você quiser, pois você pode gravá-los em um CDROM ou, simplesmente, deixá-los armazenados no provedor de e-mails (como o GMail, por exemplo, que tem mais de 8 Gb de espaço de armazenamento disponível para cada conta de e-mail que você quiser ter).

Nem sempre é fácil recuperar um trabalho ou uma tarefa que um aluno fez no início do ano para avaliá-lo no final do ano, mas se este trabalho ou tarefa foi entregue por e-mail isso se torna uma tarefa extremamente simples. E se você usar o e-mail sistematicamente, ao final do ano será muito fácil “ver” quem lhe enviou as tarefas pedidas e quem não o fez.

Sete dicas para usar bem o e-mail com seus alunos

  1. Garanta, na sua escola, a inclusão digital dos seus alunos e o acesso deles aos computadores e à Internet. Argumentos para esse uso não faltam, mas às vezes é preciso enfrentar alguma resistência dos gestores, principalmente quando esses são retrógrados e se envolvem pouco com a comunidade escolar. É preciso garantir sempre que os alunos tenham acesso a esses equipamentos e recursos.
  2. Providencie para que todos os seus alunos tenham um endereço de e-mail e saibam como enviar e receber e-mails. Há diversos provedores de e-mails gratuitos e a maioria dos alunos já possuem um e-mail, embora nem saibam disso, pois muitos têm “MSN” e para tê-lo é preciso ter um e-mail do Hotmail. O Yahoo também fornece e-mails gratuitos e minha sugestão pessoal é o uso do Gmail (e-mail do Google).
  3. Crie um endereço de e-mail seu para usá-lo exclusivamente com seus alunos. Isso facilitará sua organização e com um pouco de criatividade você pode criar um e-mail fácil de ser lembrado, como professorfulano@gmail.com, ou escrevaparafulano@yahoo.com.br, etc.
  4. Anote os e-mails de todos os seus alunos e divulgue o seu e-mail para todos eles. Você pode até mesmo levá-los à sala de informática e fornecer uma tabela do Excel com campos para preencherem o nome, o número de chamada, a classe, a série e o endereço de e-mail. Com essa tabela em mão você terá, literalmente, uma porta de acesso à todos eles a qualquer momento.
  5. Quando solicitar algum trabalho, texto ou qualquer outra comunicação que o aluno lhe enviará por e-mail, acostume-os a escreverem no cabeçalho do e-mail o nome, o número de chamada, a série e a classe, como por exemplo: “Juquinha, 28, 2A”. Isso lhe permite identificar facilmente o aluno e usar filtros para classificar as mensagens por classe, por exemplo. Para saber como usar esses filtros, visite qualquer provedor de e-mail (como o Gmail, por exemplo) e procure lá informações sobre como usar bem as ferramentas disponíveis ou, ainda, pergunte aos colegas, aos amigos e a seus próprios alunos.
  6. Organize os endereços de e-mail dos seus alunos de forma que você possa selecionar todos de uma classe, por exemplo, quando quiser enviar um recado para a classe toda. Não abuse demais desse recurso, mas se você quiser pode enviar “resumos semanais” com dicas, sugestões e lembretes, por exemplo.
  7. Discuta com os alunos as regras de segurança no uso do e-mail e o bom uso da netiqueta. É importante, nesse novo mundo “virtual” que os alunos aprendam desde cedo que existem regras sociais até mesmo no uso das mídias digitais “à distância”.

Para consultar na internet:

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

ANTONIO, José Carlos. Uso pedagógico do E-mail, Professor Digital, SBO, 26 ago. 2009. Disponível em: <https://professordigital.wordpress.com/2009/08/26/uso-pedagogico-do-e-mail/>. Acesso em: [coloque aqui a data em que você acessou esse artigo, sem o colchetes].

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Cidadania digital

12/10/2008

“Cidadania: qualidade ou estado de cidadão. Cidadão: indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”. (Dicionário Aurélio – século XXI, versão eletrônica)

Quem mora na favela não possui endereço.

Quem mora na favela não possui endereço.

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que vi, há décadas atrás, uma senhora se queixando, durante uma reportagem sobre os habitantes de uma favela, que o que mais lhe afligia em morar lá era não ter endereço para fornecer quando tinha que preencher algum cadastro ou ficha de informações pessoais. Quando lhe perguntavam o nome da rua e o número de sua casa, tudo o que ela podia dizer é que morava na favela “Tal”.

A exclusão social, que nada mais é do que a negação da cidadania do indivíduo, ainda é uma dura realidade por todo o país e o número de favelas não têm diminuído de lá para cá. Além disso, não bastasse a exclusão social e econômica, com a modernidade novas formas de exclusão foram surgindo e, dentre elas, uma sobre a qual quero falar agora: a exclusão digital.

Hoje em dia não possuir um e-mail é muito parecido com não possuir um endereço físico real. O e-mail é solicitado em praticamente toda ficha cadastral que preenchemos e embora ainda não seja um documento obrigatório, em breve ele o será tanto quanto a comprovação de endereço que nos é solicitada em muitas oportunidades. No mundo todo são enviados 40 bilhões de e-mails por dia! Só no Brasil esse número atinge a cifra de 1,5 bilhão.

No universo da Educação convivemos quase diariamente com exemplos de exclusão social e é fácil perceber também a exclusão digital. Temos milhares de alunos que não têm acesso à Internet e aos computadores e que, assim como a senhora mencionada no exemplo acima, não possuem um endereço eletrônico no mundo digital, não possuem um e-mail. Mas, pior ainda do que isso é ver que encontramos também um número proporcionalmente semelhante de professores excluídos digitalmente, que não possuem um e-mail e não utilizam computadores, ainda que os tenham disponíveis!

Embora seja uma triste verdade a existência em muitos lugares do Brasil de comunidades inteiras onde simplesmente não existem computadores, é mais triste ainda ver escolas em outros locais que possuem salas de informática e computadores e que ainda têm alunos, e principalmente professores, excluídos digitalmente. A exclusão digital dos alunos, nesses casos, se dá por simples omissão da escola e, no caso dos professores, por omissão consciente deles próprios.

Eletronic mail (e-mail), o correio eletrônico

Eletronic mail (e-mail), o correio eletrônico

Possuir um endereço de e-mail e poder utilizá-lo não representa “modernidade” ou “sofisticação”, mas indica inclusão digital e a possibilidade de ser um cidadão do mundo. No universo da escola, possuindo um endereço eletrônico você receberá dezenas de mensagens inúteis diariamente, os famigerados “spams”, e não terá nenhuma premiação extra, ou aumento de salário, por causa disso, mas poderá enviar e receber recados, tarefas e mesmo materiais ilustrados para seus alunos e colegas. Possuir um e-mail é um direito a que todos os alunos e professores devem usufruir e, no caso dos professores, um dever para com a cidadania própria e a de seus educandos.

Há dezenas de provedores de serviço de e-mail gratuito. Para ter seu próprio e-mail basta ter como acessar a Internet por meio de qualquer computador. Uma vez que você tenha um endereço eletrônico você poderá acessar o seu e-mail em qualquer local do mundo e a qualquer hora. Diferentemente do correio, que às vezes demora dias para lhe entregar uma carta, o e-mail é entregue em segundos ao seu destinatário. Ao contrário das cartas, que requerem selos e são pagas, os e-mails são gratuitos, ecológicos (não utilizam papel ou tintas) e muito mais práticos.

Enfim, se você tem a possibilidade de acessar a Internet de algum local e, preferencialmente de sua própria casa ou escola, tenha um e-mail, use-o e seja um cidadão digital responsável.

Se você precisa de ajuda para criar seu próprio e-mail ou conhece alguém que precise, veja a seguir uma apresentação de slides sobre como criar gratuitamente uma conta de e-mail do provedor Gmail em apenas dois minutinhos.

 

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

ANTONIO, José Carlos. Cidadania digital, Professor Digital, SBO, 12 out. 2008. Disponível em: <https://professordigital.wordpress.com/2008/10/12/cidadania-digital/>. Acesso em: [coloque aqui a data em que você acessou esse artigo, sem o colchetes].


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