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Mudança ou enganação?

21/01/2013

De: Robson Freire – Editor do Blog Caldeirão de Ideias.

(*) Este blog publica artigos de terceiros, desde que originais e dentro da linha editorial do blog, mas não se responsabiliza e nem endossa suas opiniões.

Na Educação se discute o uso das tecnologias desde 1997,  com o lançamento do PROINFO (http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=462) e fui testemunha ocular desse processo como coordenador de um NTE. Vi todo o sucesso e o fracasso de diversas políticas públicas nessa jornada. Eu sempre fui um grande defensor do uso da tecnologia para fins pedagógicos com a proposta de facilitar o aprendizado e estimular a inclusão digital.

Porém, ao mesmo tempo, fico preocupado com o modismo que atualmente vê a tecnologia como uma tábua da salvação para todos os males da Educação. Isso está acontecendo no Brasil e é necessário aprofundarmos a discussão sobre em quais situações os novos recursos tecnológicos podem, de fato, exercer impacto positivo ou fazer a diferença sobre a Educação e, em qual contexto isso seria apenas mais uma enganação.

Tablete ou livros?

Tablete ou livros?

Economicamente, o uso de recursos tecnológicos é bastante positivo. A implantação de tablets como ferramenta fundamental na escola pública poderá impulsionar todo o setor produtivo tecnológico, resultando em maior inclusão digital, na arrecadação de impostos e na criação de novos postos de trabalho e empregos, gerando mais renda ao trabalhador além de outras vantagens, como a diminuição do peso das mochilas dos alunos, a diminuição dos custos do PNLD, atualização mais eficiente do material publicado errado ou em desalinho com o que foi proposto. Mas para fins pedagógicos, é também necessário se discutir como esses recursos impactam as metodologias de ensino.

Pense comigo, o raciocínio é simples: Se um aluno não consegue aprender com um livro em papel, ler o mesmo livro em formato digital não vai representar ganho algum. Ele vai continuar sem aprender nada. Se os tablets forem implantados na rede pública sem se discutir qual seria a melhor metodologia para que o seu uso realmente faça alguma diferença, será pura enganação.  Seria necessário que houvesse uma proposta de trabalho, para que se trabalhassem em conjunto varias correntes, entidades superiores e de ensino (escolas) para discutir uma reforma pedagógica para incluir as novas tecnologias de forma eficiente dentro de um contexto mais amplo.

Isso vale para qualquer outro recurso tecnológico que seja adotado pelas escolas públicas, não somente para os tablets. É perigoso nos deslumbrarmos com novas tecnologias e vermos nelas uma solução definitiva para qualquer problema, sem questionarmos o cenário de um ponto de vista mais amplo e profundo.

A meu ver surgem perguntas que todos deveriam fazer antes de qualquer coisa: Qual seria o impacto das novas tecnologias e seus dispositivos efetivamente na aprendizagem dos alunos? Elas deveriam ser usadas para tornar o aluno mais independente do professor, incentivando o autodidatismo? Seria possível  tornar a sala de aula em um local no qual se tiram dúvidas e aprofundam questões já estudadas previamente em casa, além de facilitar o trabalho cooperativo entre os alunos?

As tecnologias oferecem hoje aos professores recursos e meios que podem ampliar a relação ensino-aprendizagem, diminuindo barreiras de tempo e espaço, através de ambientes que extrapolam a sala de aula física e convencional. Os repositórios, blogs e os espaços colaborativos podem agregar conhecimentos a própria prática docente, por meio de pesquisas sobre novas metodologias e recursos didáticos.

Para que isso ocorra, os profissionais da educação, sobretudo os professores, devem assumir um papel de pesquisador de novos conhecimentos para aperfeiçoar cada vez mais sua prática educativa. Entendo que o professor deve ser sempre um pesquisador, não só de conhecimentos científicos, metodológicos, mas também da sua própria prática pedagógica. Consideramos aqui o professor pesquisador como aquele que investiga e estuda seu campo de atuação e que produz conhecimento (transforma a informação em conhecimento).

Nesta perspectiva, o professor, assumindo esse papel de pesquisador e produtor de conhecimentos, poderá utilizar as tecnologias para estudos, através do acesso a periódicos, livros, artigos científicos, blogs, conteúdos e recursos educativos. Além de também poder compartilhar com outros profissionais suas produções (trabalhos, artigos, atividades educativas, vídeos, entre outros), experiências e conhecimentos.

São apenas alguns exemplos das muitas formas que o uso de tecnologia na escola poderia realmente exercer alguma influência positiva, mas esta é apenas a minha opinião. Precisamos aprofundar os estudos realizados por pedagogos, professores e acadêmicos, que precisam ser compartilhados e debatidos com a sociedade e depois usados como base para uma reformulação da metodologia de ensino.

Só viveremos dentro de uma nova realidade educacional reformando integralmente toda cadeia educativa, desde a formação inicial, onde se privilegie o uso das tecnologias e da mudança da filosofia/metodologia para uma cultura hacker e o uso de recursos educacionais abertos.

Bem… Chegou a hora da verdade: Mudamos de verdade ou continuaremos enganando?

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

FREIRE, Robson. Mudança ou enganação?, Professor Digital, SBO, 21 jan. 2013. Disponível em: <https://professordigital.wordpress.com/2013/01/21/mudanca-ou-enganacao/. Acesso em: [coloque aqui a data em que você acessou esse artigo, sem o colchetes].

Alivie o peso da sua consciência e da mochila do seu aluno com tecnologia

15/08/2012

Já há algum tempo eles deixaram de ser meros telefones ou brinquedinhos. Está na hora de começar a levá-los mais a sério: os mobiles já estão na sua sala de aula, mesmo que escondidinhos, e não vão mais sair de lá!

Tablets e Smartphones

Tablets e Smartphones: eles podem ajudar a melhorar a qualidade de vida de alunos e professores

Um dos grandes problemas das escolas jurássicas é a estreiteza de visão de gestores e educadores sobre o impacto e a extensão da aplicação de novas tecnologias no processo educacional.

Já estamos todos cansados de repetir e concordar que nosso modelo escolar é ruim e precisa ser reinventado (só tapar o sol com a peneira já não dá mais). Já há um consenso muito bem estabelecido de que as novas tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) têm um papel fundamental nessa reconstrução. Porém, os falsos paradigmas da escola jurássica e o apego quase nostálgico a práticas e hábitos ultrapassados ainda sobrevivem e impedem que gestores e educadores promovam mudanças.

Em outros artigos [1][2][3] já discuti extensivamente o uso pedagógico dos mobiles (smartphones, tablets, minitablets, etc.) como meios de transformar a maneira como se ensina e propiciar novas formas de aprendizagem, de forma que o ensino se aproxime mais da dinâmica como o aluno aprende atualmente. Porém, há muito mais que podemos fazer pelos nossos alunos, e por nós mesmos, ao incorporar as novas tecnologias em nossa prática de ensino.

O uso das TDIC causa impacto dentro e fora da sala de aula e abrange algumas questões que raramente nos chamam a atenção, mas que se relacionam diretamente com as nossas práticas em sala de aula e na escola de maneira mais geral. Essas questões que, aparentemente, extrapolam o universo da sala de aula, são igualmente fundamentais se pretendemos uma escola feita para alunos e não apenas para professores e gestores terem um local para trabalhar.

Nesse artigo eu volto ao tema dos móbiles, mas com um enfoque que extrapola a prática de sala de aula para abarcar também a qualidade de vida dos nossos alunos. Como não poderia deixar de ser, retomo também o uso pedagógico dos móbiles e tento apontar alguns caminhos possíveis que eu mesmo e muitos outros estamos tentando trilhar.

A primeira proposta é simples: vamos rever o material escolar de nossos alunos e aliviar o peso de suas mochilas?

A segunda é mais complexa: vamos refletir sobre nossa capacidade de aplicar a nós mesmos as teorias que aprendemos na faculdade (Piaget, Vygotsky, Paulo Freire, etc. etc) e tentar uma ação concreta?

Mochilas escolares, dores e problemas posturais

Mochila escolar

A mochila escolar não pode pesar mais do que 10% do peso da criança.

Diversos estudos já mostraram que as mochilas escolares podem causar problemas posturais e quadros de dores nos ombros, costas e outras partes do corpo sensíveis a sobrecarga de peso transportado.

Segundo esses estudos a carga máxima que uma criança deveria transportar em sua mochila não deve ultrapassar 10% de seu peso. A conta é simples:

Carga máxima = 100 x (peso da mochila)/(peso da criança)

Se o resultado dessa conta for maior do que 10 isso quer dizer que a criança está transportando um peso excessivo e, provavelmente, terá problemas de saúde como consequência.

Há várias maneiras de tentar contornar o problema do sobrepeso das mochilas. Algumas são indicadas no final do artigo, nas referências de pesquisa na internet. Porém, a maneira mais simples de resolver o problema é simplesmente reduzir a quantidade de itens transportados.

Mas, que itens são transportados em uma típica mochila de criança do ensino fundamental ou médio? Vamos listar alguns:

  • livros: livros didáticos e apostilas, livros de literatura, gibis, revistas, dicionários de português e outras línguas, etc.
  • cadernos: caderno de várias disciplinas, cadernos de caligrafia, caderno de desenho, agenda.
  • materiais de apoio à escrita: lápis, caneta, lápis e canetas para desenhar e pintar, borracha, corretivo, régua e outros apetrechos de desenho, estojo para armazenar.
  • materiais variados: relógio, adesivos, tesouras, brinquedos, chaveiros, instrumentos musicais, calculadora, jogos, etc.

Se olharmos com atenção veremos que as mochilas são mini-papelarias ambulantes e mesmo retirando delas todos os itens supérfluos ainda restarão muitos itens pesados, sendo que, geralmente, estes são os mais importantes.

Estudos também mostram que o peso das mochilas aumenta conforme a idade e a série escolar de forma desproporcional ao aumento de peso das crianças. Nas séries finais no Ensino Fundamental as mochilas pesam bem mais porque os alunos transportam mais cadernos, dicionários e livros de diversas disciplinas.

Proposta 1: Aliviando o peso da mochila com tecnologia

Enquanto alguns professores ainda gritam desesperados para seus alunos desligarem seus smartphones e tablets e pegarem seus livros e cadernos, porque simplesmente não pedem que os alunos abram seus livros e cadernos no smartphone ou no tablet?

  • Em um único tablet, com pouco mais de meio quilograma, é possível armazenar todos os livros didáticos que o aluno utilizará, todos os dicionários que precisar, todas as enciclopédias sugeridas para consulta, tradutores, agendas, e milhares de outros materiais “escritos” para consulta.
  • Os tablets possuem aplicativos para produção de texto formatado, planilhas, gráficos, figuras, apresentações, ferramentas de desenho, ferramentas de escrita caligráfica, corretores ortográficos, etc. etc.
  • Com um tablet não há necessidade de dezenas de lápis coloridos, borrachas, tesouras, canetas, calculadoras, relógios, corretivos líquidos, réguas, compassos, etc. etc.
  • De brinde os tablets ainda levam em si máquinas fotográficas, filmadoras, aparelhos de som, televisores, calculadoras, cronômetros, jogos e aplicativos para todo tipo de coisa que se queira.
  • Com os tablets é possível fazer experiências sem ter laboratório na escola, simular situações que seriam impossíveis ou extremamente difíceis no mundo real, consultar professores virtuais, interagir com alunos de outras classes e escolas, etc. etc. É uma lista interminável!

Não é preciso ser um gênio da matemática para perceber que quase tudo que um aluno carrega em sua mochila pode ser colocado em um tablet ou mesmo em um smartphone (com algumas restrições devido ao tamanho da tela) com uma redução de peso e de volume absurdamente grande.

E o mais impressionante nisso tudo, e razão pela qual eu afirmo que os falsos paradigmas ainda sobrevivem na escola e nos atrasam cada vez mais, é que em muitas mochilas já encontramos um item muito bem escondidinho, porque é odiado por professores e gestores, mas muito importante: o tablet ou o smartphone!

Não adianta fingir: sua consciência anda abalada por causa das TDIC

Oras, convenhamos, se não fôssemos educadores diplomados e cultos, portanto inteligentes e sempre abertos às novas idéias, alguém que nos visse proibindo os alunos de usarem seus tablets na sala de aula nos acharia “um tanto desprovidos de bom senso” (para ser bem sutil).

Porque gestores e professores resistem de forma quase ingênua, para não dizer tola, à incorporação dessas tecnologias de forma natural em suas salas de aula? Porque querem que os alunos copiem suas lousas à mão e no caderno se eles podem simplesmente fotografá-las? Porque os alunos precisam levar livros pesados se esses livros e muitos outros poderiam estar digitalizados de maneira a não ocupar nenhum espaço e nem ter peso algum? Porque o aluno tem que escrever sobre uma folha de papel em seu caderno (parte de um cadáver de uma pobre árvore derrubada para essa finalidade) se eles podem escrever e desenhar da mesma forma, ou melhor ainda, sobre uma tela digital?

Fotografando a lousa

Fotografar a lousa é uma forma inteligente de copiá-la.

Há tantos porquês de difícil resposta nessa questão que é mais fácil refletirmos sobre o conjunto deles todos: Será que não estamos teimando em continuar na idade da pedra lascada sem nenhuma razão evidente que justifique isso? Porque nos apegamos tanto a paradigmas, práticas e idéias completamente obsoletas? Como podemos dormir em paz sabendo, lá no fundo de nossa consciência, que estamos agindo errado e de forma proposital?

Já está mais do que claro que além do usos pedagógicos que potencializam o ensino e a aprendizagem, os tablets e smartphones são escolhas saudáveis e inteligentes para substituírem uma infinidade de itens que de fato não precisamos mais ter dentro da mochila.

Porém, os tablets e smartphones também provém recursos para que não precisemos mais de uma série de práticas pedagógicas que também já não cabem mais em nossas salas de aula: nossa mochila pedagógica está cheia de entulho!

Aliás, porque ainda temos “salas” de aula e grades nas portas e janelas? Porque nossos alunos precisam ficar sentadinhos enfileirados como militares ou prisioneiros em formação? Porque temos horários rígidos e campainhas que nos empuram daqui para ali, como nas fábricas ou nas prisões? Porque a escola parece uma indústria-prisional de lavagem cerebral se ela se destina a gerar cidadãos livres e libertários, criativos e conscientes? São tantos porquês…

Proposta 2: Aliviando o peso da sua consciência com tecnologia

Proponho, além da reflexão sobre esses “porquês inexplicáveis”, uma ação concreta que nos permita passar de elementos passivos ou observadores críticos para atores criativos: vamos “chutar o balde”? Mesmo que você acredite (e não saiba racionalmente porque acredita) que o uso de tablets e smartphones é mais prejudicial do que benéfico, aceite o desafio de usá-los por dois meses (um bimestre!).

Combine com seus alunos que tragam para a aula seus smartphones, tablets, netbooks e notebooks e comece a propor que eles sejam usados em atividades rotineiras da aula como: copiar a lousa, escrever textos, pesquisar palavras em dicionários, assuntos em enciclopédias ou na internet, etc. Explore as possibilidades!

No princípio você estará bastante inseguro sobre “onde isso vai nos levar”. Afinal, é algo novo, e sempre nos sentimos inseguros diante de coisas que não dominamos, não conhecemos profundamente e nem somos capazes de controlar de forma absoluta (Ei, espere aí, a vida toda é assim, não é?).

Claro que para “chutar o balde” e passar de elemento passivo ou observador crítico para ator criativo, é preciso antes ter uma boa conversa com os gestores, os pais e os alunos. Afinal, somos educadores e não vamos propor que os alunos “tragam um novo brinquedo para a sala de aula”, mas sim que passemos a usar novas ferramentas para potencializar a aprendizagem e promover mudanças comportamentais importantes (para a aprendizagem, para a saúde, para a cidadania em um mundo moderno e tecnológico e para nosso próprio benefício, na medida que podemos desenvolver aulas mais produtivas e obter melhores resultados com menores esforços).

Também não pense que tudo sairá como planejado inicialmente, pois um dos novos paradigmas com os quais você terá que ir se acostumando é que nesse novo mundo, em constante e rápida transformação, todos os processos são dinâmicos e pouco controláveis, requerendo ajustes constantes e uma atenção contínua ao desenvolvimento.

Nem pense em contar com a adesão de todos à sua volta, pois o diferente ainda é visto como “estranho e perigoso”. Muitos colegas dirão que você está “conturbando a escola” (e estará mesmo!), que isso dificulta o trabalho deles (bobagem!) e, principalmente, que você perderá o controle (o que seria verdade se realmente alguém tivesse o “controle” nos dias de hoje).

Muitos alunos podem não ter esses recursos, então você também não poderá migrar 100% de sua prática para esse novo modelo. Mas também não é esse o objetivo aqui. O objetivo é iniciar agora mesmo, na sua escola e nas suas classes, uma mudança que já está em andamento em todo lugar e que não será freada por esforços retrógrados: a incorporação natural das novas tecnologias nas práticas de ensino e o desenvolvimento de novas práticas baseadas em um novo estilo de aprendizagem e comportamento manifestado pelas gerações de nativos-digitais.

Se o desafio lhe parecer “impossível ou muito improvável”, tenha em mente que já existem professores fazendo isso em salas de aula reais no mundo todo e, inclusive, no Brasil (ok, eu também sou um deles) e, segundo relato deles mesmos, tem dado certo! Todos os problemas e dificuldades listados acima podem ser contornados ou superados.

Se aceitar o desafio não se esqueça de

  • planejar antes de executar qualquer atividade e, durante a atividade, esteja preparado para lidar com todo tipo de imprevisto. Portanto, tenha na manga um plano B, C, D e uma boa dose de paciência e persistência;
  • sonhe alto, mas caminhe devagar e dê um passo de cada vez. As grandes obras se constroem lentamente. Na sala de aula as conquistas são incrementais, ocorrem aos poucos, nem sempre com todos ao mesmo tempo e, por fim, nem sempre terminam onde planejamos no início;
  • seja muito persistente; acredite de verdade que está construindo algo melhor do que já temos;
  • observe tudo atentamente e analise em tempo real as ações, comportamentos e mudanças na sua própria prática e na prática do aluno. Procure localizar as mudanças que planejou, mas tenha olhos para ver outras mudanças não planejadas que ocorrerão;
  • coloque-se no lugar do seu aluno. Mude seu ponto de vista. Tente aprender com eles as melhores maneiras de usar as ferramentas tecnológicas para atingir de forma mais eficiente os objetivos que você tem como professor;
  • procure outras pessoas que estão tentando usar os mobiles em sala de aula; a rede está cheia delas. Procure “aliados” na própria escola. Compartilhe, interaja e se insira na rede mundial, nos grupos de discussão, nas comunidades virtuais;
  • no final desse “bimestre experimental”, reavalie com seus alunos a possibilidade de continuar tentando inovar no próximo bimestre, e no próximo ano, e pelo resto da sua vida.

Se depois desse bimestre você concluir que não valeu a pena e resolver desistir (não recomendo mesmo!), tranquilize-se, pois pelo menos você terá saído de sua zona de conforto, terá sentido um desequilíbrio cognitivo que o levará a explorar sua zona de desenvolvimento proximal, terá desenvolvido novas habilidades em direção à aquisição de novas competências e, para todos os fins, terá exercitado na prática o novo paradigma de aprender a aprender.

Se resolver continuar adiante, terá aprendido que aprender sempre e aprender com novas tecnologias é divertido e desafiador e, por isso mesmo, os alunos também preferem aprender assim. Além disso, quando os mobiles, enfim, deixarem de ser vistos como vilões e passarem a ser vistos como essenciais na Educação, você já estará pronto para desenvolver novas metodologias para as próximas tecnologias que estarão surgindo, e não mais como agora, na incômoda situação de ter que lidar com algo que desconhece por completo, que nunca experimentou e, mesmo sabendo que é bom, não gosta (parece criança que não quer comer brócolis, não?).

Acredito que após dois meses persistindo no uso dos mobiles você poderá ter conseguido:

  • alunos mais produtivos, que agora terão mais tempo para se dedicar ao aprendizado e às suas explicações do que à tarefas ridiculamente ultrapassadas como “fazer cópias de lousa”;
  • criar uma rotina de uso em que o aluno (e você mesmo) passe a ver o tablet ou smartphone como uma ferramenta de trabalho escolar tão banal quanto o antiquíssimo caderno, porém mais divertida e funcional;
  • um menor nível de “indisciplina”, “desatenção” e “desinteresse” nas aulas pois, aquilo que é proibido e raro (como o uso atual dos smartphones e tablets na sala de aula) é muito atrativo e dispersivo, mas o uso regular desses aparelhos acaba retirando deles o “gosto pelo pecado” e os torna apenas materiais didáticos usuais, porém, mais divertidos e inteligentes;
  • criar novas dinâmicas de aula que incluam o uso da internet e de recursos de multimídia e computacionais como ferramentas banais, mas que podem tornar suas aulas mais completas e interessantes;
  • reduzir significativamente o peso e o volume de materiais didáticos e de apoio que os alunos trazem para a escola em suas mochilas e, com isso, estará também contribuindo para a saúde deles. E procure perceber que você também acabará reduzindo o peso que carrega na bolsa e na consciência;
  • criar em si mesmo e nos alunos a expectativa de que muito mais pode ser feito, muito mais há para se saber sobre essa nova forma de ensinar e aprender e, por fim, terá plantado uma sementinha onde antes havia apenas poeira velha e repisada de paradigmas capengas.

Bom, então, divirta-se!

Referências e sugestões na Internet:

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

ANTONIO, José Carlos. Alivie o peso da sua consciência e da mochila do seu aluno com tecnologia, Professor Digital, SBO, 15 ago. 2012. Disponível em: <https://professordigital.wordpress.com/2012/08/15/alivie-o-peso-da-sua-consciencia-e-da-mochila-do-seu-aluno-com-tecnologia>. Acesso em: [coloque aqui a data em que você acessou esse artigo, sem o colchetes].


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